A voz da Ana constantemente está ali, sussurrando em meus ouvidos. Muitas vezes já tentei ignora-la, mas é gritante o poder que ela tem sobre mim. Cada vez que tento contrariar seus instintos ela provoca em mim uma torturante sensação. Uma sensação extremamente sórdida. Uma sensação que sangra. Arde. Dói. E eu pergunto: Você é capaz de acidentalmente se ferir gravemente e ignorar seu ferimento? Obviamente não. Então, como ignorar a tortura provocada pela Anna, caso eu tente andar em uma direção oposta a dela? Entenda. Não é questão de não querer me desprender. É questão de não conseguir me desprender. É como se eu estivesse nas mãos de um psicopata me obrigando a fazer o que ele manda. Caso eu negue, ou tente simplesmente fugir, ele consegue me deter novamente, me coloca imóvel, derramando sobre uma parte do meu corpo um ácido sulfúrico, provocando severas queimaduras e consequentemente insuportáveis dores. É dessa forma que a Anna age. Ela me faz chegar ao limite da dor, com as sensações de culpa após comer, com a sensação de ódio externo, e várias outras. Opto por ceder. A Anna só alivia minha dor quando demonstro que fiz exatamente como ela mandou. Um dia eu cheguei acreditar que eu tinha total controle sobre ela, mas já não vou mais insistir nessa nítida mentira, desde muito tempo o controle está todo nas mãos dela. Eu estou nas mãos dela e completamente presa a ela.
#Relatos de uma Anna

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