quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Não choro mais. Na verdade, nem sequer entendo porque digo mais, se não estou certo se alguma vez chorei. Acho que sim, um dia. Quando havia dor. Agora só resta uma coisa seca. Dentro, fora. Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão. Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar.
Como Vinícius cantou "é melhor viver do que ser feliz". Porque, pra viver de verdade, a gente tem que quebrar a cara. Tem que tentar e não conseguir. Achar que vai dar e ver que não deu. Querer muito e não alcançar. Ter e perder. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida. A vida é incontornável. A gente perde, leva porrada, é passado pra trás, cai. Dói, ai, doi demaais. Mas passa. Está vendo essa dor que agora samba no seu peito de salto agulha? Você ainda vai olhá-la no fundo dos olhos e rir da cara dela. Juro que estou falando a verdade. Eu não minto. Vai passar.
Pedi pra mãe – me interna, to infeliz pra caralho.
Tequila, café e cigarros exatamente nessa ordem me preenchiam. Aquela velha história do amigo engarrafado me era completamente aplicável, não havia companhia melhor. Porque eu não desejava conversar, pessoas se preocupam demasiadamente e eu não precisava de especulações, conversas enfadonhas e repetir tudo o que estava acontecendo comigo. Não. Eu não quero falar sobre isso. Isso o quê? Se eu tivesse noção do que era. Acontece que esses dias estão tortuosos e eu não desejo levantar-me daqui, a poltrona já adquiriu o formato do meu quadril e a TV me dá o entretenimento necessário para continuar trancafiada aqui. Sossego é o que eu quero. Desde que ele fora embora eu ouço versos que me falam sobre amores arruinados, o coração já não bate, esquecera completamente o tal do Tum-tum-tum. Será que o coração bate assim? Há algum tempo que não sei como ele reage, porque os dias estão vazios. Sabe toda aquela ideologia de que é possível viver sozinho? Pois é. Acreditava nisso piamente porque ele estava ao meu lado, agora que se foi tudo é cinza. E eu chorei um oceano inteiro essa noite. Eu precisava esvaziar. Porra eu preciso ser internada.
É, eu confesso que não é exatamente a realidade que eu esperava encontrar. Talvez isso mude. Talvez você entre na minha vida sem tocar a campainha e me sequestre de uma vez. Talvez você pule esses três ou quatro muros que nos separam e segure a minha mão, assim, ofegante, pra nunca mais soltar. Talvez você ainda possa pular no rio e me salvar. Ou talvez eu só precise de férias, um porre e um novo amor. Porque no fundo eu sei que a realidade que eu sonhava afundou...e virou utopia".
Se eu chorar, não me faça muitas perguntas, não 
precisa nem secar minhas lágrimas. Só me diz 
que você continuará comigo pra tudo, que tenho 
teu colo e teu carinho. E ainda que te doa me ver 
assim, me envolva nos teus braços e diga que 
eu posso chorar, mas que você não sairá dali 
enquanto eu não sorrir. Porque é isso que nos 
importa, não é? O sorriso um do outro. Não é?

domingo, 11 de dezembro de 2011

Chega uma hora em que tudo ao seu redor se silencia, não existe mais um sentido, você está triste e sozinho, não sabe o motivo da tristeza nem da solidão, os seus sonhos só te fazem lembrar, lembranças boas. Está tudo tão frio, chega a queimar, o ar está tão seco, a cabeça está tão vazia, tudo parece retroceder com sorrisos, o toque já não tem mais suavidade, a verdade já não está mais em meus olhos, pelo contrário ela se confunde no medo de olhar, olhar pra frente, olhar ao meu redor e acreditar no que vejo. Palavras agora são o único meio de expressar sentimentos, a maior vontade é de soltar um grito desesperado pedindo por ajuda, por alguma companhia, pra que alguma vontade seja saciada, de forma diferente, a percepção da escuridão acaba ficando cada vez maior, aquela barreira que se criou, fica maior a cada dia, parece que estar mal, e sozinho é só, e o tempo parou. Coisas bonitas já não me fazem a cabeça, a cada passo que dou para a frente parece que todos dão um para trás, está tudo ficando distante, e quando caio pra trás sem ter no que me apoiar, todos estão parados olhando pra mim, eu sei que tenho que me levantar e andar junto a eles, mas a realidade de cada um é tão falsa, estou preso e falando sozinho, vejo uma estrada comprida, vazia.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Ela estava parada sobre a varanda, analisando os 6 metros que haviam abaixo dela. Será que o estrago seria grande o bastante pra sanar toda a dor que o mundo lhe causara em seus 16 anos de vida bem fodidos? Ela queria ter um marlboro, bebidas ou um bom rivotril ali do lado pra melhorar o que andava sentindo, se ajoelhou, ainda pensando no que fazer e olhou as marcas em seus braços, sorriu de modo idiota. Antes defendia quem se cortava por não ter coragem de admitir que o ato era seu maior refugio, depois de um tempo assumiu descaradamente, mandando todo mundo pra puta que o pariu e então caiu em si, aquele ato podia até ser confortável para ela, mas era inútil. Era como cortar o dedo fora pra distrair da dor da picada da abelha. Ela continuou sorrindo enquanto a primeira lagrima rolou e rachou sua máscaraViver não era uma opção e sim uma obrigação, na fraqueza de estar sozinha ela se atreveu a olhar pro céu e perceber que estrelas não são mais comuns hoje em dia, porém, uma ainda brilhava mesmo que meio apagada. Então se a estrela podia sozinha, porque ela não poderia?