sexta-feira, 29 de julho de 2011

Eu sei que dói. É horrível. Eu sei que parece que você não vai agüentar, mas aguenta. Sei que parece que vai explodir, mas não explode. Sei que dá vontade de abrir um zíper nas costas e sair do corpo porque dentro da gente, nesse momento, não é um bom lugar para se estar.
Está tão difícil assim perceber que eu ainda me interesso por você? Que quando eu te vejo meu coração dispara e eu me controlo para não te agarrar ali mesmo? Que o simples fato de ver você com outras meninas desperta em mim os meus instintos mais primários? Que só de imaginar você nos braços dela eu tenho vontade te de sacudir, de gritar mais uma vez meu amor por você, te fazer enxergar que para mim você não é mais uma e sim aquela garota que me conquistou a partir do momento que entrou na minha vida, aquela garota que me ensinou o que é gostar verdadeiramente de alguém e chorar por ela. Não deve ser tão difícil ver isso! Todo mundo já percebeu, só falta você.
Sinto-te presente e ao mesmo tempo tão distante. Quero ser o ar que você respira, quero ter-te todas as manhãs frias e todas as noites quentes. Seu sorriso é como um raio de sol, e quando não o vejo, meu dia parece noite. Me deu vontade de dizer-te que essa minha luz é graças a você e que sem você, eu não brilho mais. Nas minhas palavras eu encontro só você. Você não faz ideia como é não conseguir dormir sem teu beijo de boa noite. Estou cansada de escrever-te versos que nunca teus olhos terão curiosidade de ler. Te conheço o bastante pra saber que você é o suficiente pra mim. Me ligue e diga-me que nada tem sentido sem mim. As vezes me encontro chorando baixinho no meu quarto e lendo as cartas que me escreveste. Você ocupa a maior parte de mim, é como se eu fosse mais você do que eu. Estou cheia de feridas pra sarar e machucados pra cicatrizar, mas o único remédio é você. É seu amor, só isso.
Eu não preciso de um texto com milhões de palavras e adjetivos para dizer que te amo, sem frases clichês, sem mentiras, e sem essas besteiras. Eu acho muito mais fácil do meu jeito, com carinho, com amor, com jeito de quem te ama. Aos poucos sinto que você perde o medo e se entrega, isso me conforta tanto, saber que em pouco tempo já te mostrei como as coisas podem ser melhores, como eu vou te fazer melhor. E se eu disser que amo o seu cabelo, o seu rosto, o seu sorriso, não vou estar mentindo, e os seus olhos então? Ah, os seus olhos, quando decidem me olhar sem desviar, é tão incrível como consegue, e a gente conversa sem nem falar nada, apenas se olhando, talvez nem perceba nos meus, um olhar apaixonado sem explicações, e enquanto você estiver aqui, eu vou ser o seu porto-seguro, sou aquela que você vai poder abraçar em qualquer momento, e quando eu acordo de manhã é tão bobo meu sentimento, eu fico imaginando em baixo dos meus cobertores, será que ela pensou em mim também quando abriu os olhos? Minhas vontades são, te mandar milhões de sms’s e te ligar toda hora, porque parece que cada vez que eu falo com você eu falho na tentativa de mostrar o que eu sinto, não é fácil chegar e falar, não sei como fazer isso, e o que eu mais quero e te fazer sorrir sempre, seja com minhas besteiras ou com coisas lindas que eu possa dizer, sabe que eu acho você linda também? Eu passaria minha noite escrevendo um texto de infinitas linhas e não acabaria de te contar o que eu sinto quando estou com você, só sei que eu te amo, e isso basta…
Sinta seu sangue correndo nas veias. Porque você está prestes a não senti-lo nunca mais. Por mais que você negue, eu sei todos os seus males. Eu enxergo o mal no seu olhar. Todos podem tentar ajudar, mas sabem que de nada adianta. Sua situação não possui mais volta. Você está acabada. Seu corpo está se dilacerando por dentro. E você já sentiu tanta dor no passado, que agora as única coisa que a dor provoca são cócegas sob seu estômago. Seus olhos, eles não tem mais brilho. Só vejo raiva. Só vejo dor. Só vejo algo que nunca imaginei que você seria. Você acabou se perdendo mesmo estando no caminho certo. Eu sinto muito por você. Sinto pelos seus atos. E até sinto muito pela maneira como tudo isso está acabando. É. Não negue. Vai ser pior para você. Porque no fundo você sabe que tudo isso não tem volta. E que está no fim. Você sempre soube que nem todos os finais são felizes. E foi assim que você terminou. Sinto muito. A tragédia está prestes a começar. Ou terminar. Seu coração está pulsando cada vez mais fraco. Eu consigo sentir, digo, não posso mais nem sentir. Seu passado está sendo revivido em sua memória. Seus olhos estão se fechando. Tudo bem. Durma bem menina, sinto muito por ter feito você passar por tudo isso.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Você vê como o mundo dá voltas? Há algum tempo atrás eu era a garota do coração partido, implorando para ter o seu amor de volta nos meus braços. Eu me joguei aos teus pés, me humilhei, só pra te ter outra vez, só pra sentir de novo o calor do seu sorriso. E agora eu não preciso mais disso. Eu cresci e vi que tudo tem limite, até o amor tem um certo ponto onde a gente tem que dizer chega. E pra surpresa maior ainda,agora é você que está nessa situação, agora você é aquele que não sabe onde começa linha que não deve ser traçada. E, para seu desespero, eu farei exatamente o que tu fizeste quando a situação era inversa: nada.
"Vocês irão saber dos detalhes uma da outra tão bem, que vão até estranhar. Irão compreender as manias doidas uma da outra. Irão querer entender o porque de uma agonia ou tristeza repentina. Irão ter pensamentos obscuros, mais uma vai saber como lidar e acalmar a outra. Porque vocês se amam. E o amor de vocês é tão puro, que quem tá presenciando de fora sente. Vocês juntas ofuscam. Vocês brilham. Vocês são incrivelmente feitas uma para a outra, e não vai haver força nenhuma que se atreva a impedir isso."
<3
Me diga que está triste, eu consolo. Me diga que nunca foi tão feliz, eu concordo. Me ame ou me odeie. Me mande pra puta-que-o-pariu ou me convide pra ir com você. Exploda na minha cara ou se derreta na minha mão. Deixa eu te ver morrendo de tanto rir ou com vergonha das olheiras de tanto chorar. Só não me esconda o rosto. Me abrace, me esmurre, me lamba ou me empurre. Só não me balance os ombros. Não me perturba assistir tua dor nem acompanhar teu gás. Te ver mais ou menos realmente me incomoda. Mais ou menos não rende papo, não faz inverno nem verão, não exige uma longa explicação. É melhor estar alegre ou estar triste, mais ou menos é a pior coisa que existe.
Eu sempre vou lembrar de você. Do aperto do teu abraço. Do teu sorriso. Do nó do corpo grudado ao meu, como se fossemos feitos um pro outro - mesmo não sendo. Do brilho quase negro dos teus olhos. Do teu sorriso meio torto e de toda a sua idiotice. Eu prometo. Prometo que pelo menos aqui dentro, como meu amor, você será eterno.
Mais poesia. Mais verdade. Mais harmonia. Mais noites bem dormidas. Mais noites em claro. Mais eu. Mais você. Mais sorrisos, beijos e aquela rima grudada na boca. Eu quero nós. Mais nós. Grudados. Enrolados. Amarrados. Jogados no tapete da sala. Nós que não atam nem desatam. Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais.
Como se toda a maquiagem borrada no rosto dela não denunciasse as lagrimas que caíram por ali. Ela chora como se pudesse esquecer o mundo. Mas não esquece, adia. O coração dentro do peito aperta querendo sair, querendo habitar um jardim leve e ser solto. Solto da prisão de ser alguém vivo. Viver dói tanto. Os dias chuvosos sumiram, o sol veio aquecer uma pele morta, uma pele que por falta de toque desejou enrolasse nas cobertas e ficar. Ficar lá para sempre até morrer, e morreu. Hoje ela chora o luto de sua pele, e seu cheiro de terra molhada virou cinzas de um cigarro barato comprado em um bar qualquer. Deixa morrer. 
E a vontade de ter aqui aumenta a cada dia, seu beijos me fazem falta, seu pé frio encostado no meu me trás saudades. O sorriso besta que você dá quando eu falo alguma besteira sobre um filme qualquer. Sua mãos nas minhas, minha cabeça no seu ombro, seu nariz no meu. Eu sinto sua falta, não importa se você está fora um dia ou um segundo. Eu só quero poder morder sua orelha enquanto você puxa meu cabelo, te sentir, entende? Eu sei que isso é clichê mas, eu não consigo viver sem você.
Mas eu sinto, sabe? Sinto muito as coisas. Tudo, todos. Mesmo que eu tente esconder, mesmo que eu tente não me mostrar. Mesmo que eu disfarce. Eu sinto tudo demais. E é por isso que às vezes as coisas doem tanto.
E acaba nisso: eu, meu chão, e o gosto das minhas lágrimas. Eu achei que nunca mais seria assim, pensei que continuar mantendo o controle, mas você me desarma tanto. Você faz eu puxar meu cabelo, não ter forças pra ficar de pé, querer machucar a mim mesma pra não sentir esse aperto insuportável no meu coração. Eu me sinto patética por me ver assim, por me permitir passar por isso. Falo que meu coração tá quebrado, mas é o meu corpo inteiro que dói. Eu não vou melhorar. Não sou nem mais minha pra começar.
Falam que é egoísmo minha vontade de me matar. Mas e o egoísmo de vocês? Porque não tiram um pouco do tempo de vocês para tentar tirar isso da minha cabeça? Pra me fazer realmente feliz, sem mais problemas e decepções? Ninguém pensa nisso. É, eu sou um puta egoísta mesmo! Desistam de mim.
Eu peguei-me te amando tanto, tanto, e te vi indo embora. Simples. Fácil. E talvez, realmente não tenha sido nada dificultoso para tu me deixar. Mas meu peito continua a arder, e eu me sinto uma otária por saber que te quero tanto, enquanto para você eu já sou página virada.
Digo que sinto sua falta às vezes, como se eu não sentisse o tempo todo. Engulo-me persistente em que eu possa ser melhor, mas no fundo sou um poço vazio de decepções e comportamentos traiçoeiros. Lamento-me pela volta, como se a ida não fosse tão mais dolorosa. E eu prefiro não me despedir. Dou alguns acenos de longe, sem sorrir, sem piscar. Tenho medo que você também não volte. Tenho medo que você também se perca ou se desmonte. Mas cheiro de café quente ainda está no meu lençol, e ando como se eu estivesse intacta aos cítricos, mas a verdade é que eu realmente encontrei-me no silêncio e no escuro em que ficou do nosso sono, ou da nossa falta. Seremos, sempre seremos.Mas seremos distante e do avesso, com a sensação de que ainda existem formas de fazer você ficar. Se te causa dor eu não sei. Confesso-te que também não sei bem se me interesso em saber. Tenho medo que sua dor tenha efeito sobre mim e que eu não possa mais levantar durante a madrugada, sentando-me na janela do quarto, pisoteando as camisas jogadas e segurando uma caneca antiga sem analisar bem o que faço.Talvez o efeito me faça dormir a noite inteira, então realmente não devo saber. Mas acho que você deveria lembrar-me que ainda existe. Só por precaução. Só para que eu ainda possa ouvir sua voz. Talvez. 
Eu sinto falta de como fui há um tempo atrás. Já fui forte, não chorava ao ouvir minhas músicas, na escola, minhas notas eram boas, não precisar de ninguém para me sentir completa. Tive uma melhor amiga, meus sorrisos eram verdadeiros. E sinceramente, não sei como e nem por que me transformei nisso que sou agora. E querem saber o que sou agora? Um nada. Passo invisível por todos, ninguém se sente bem ao ficar do meu lado, não tenho mais minha melhor amiga, não posso ouvir minhas músicas sem chorar, meus sorrisos não são os mesmos. E sou assim: Fraca, covarde e sensível demais.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Algumas vezes eu fiz muito mal para pessoas que me amaram. Não é paranóia não. É verdade. Sou tão talvez neuroticamente individualista que, quando acontece de alguém parecer aos meus olhos uma ameaça a essa individualidade, fico imediatamente cheio de espinhos - e corto relacionamentos com a maior frieza, às vezes firo, sou agressiva e tal. É preciso acabar com esse medo de ser tocada lá no fundo. Ou é preciso que alguém me toque profundamente para acabar com isso.
Eu tentei com todas as forças amar você e agora sofro com todas as forças pelo buraco que ficou entre o sofá e a planta e o meu coração. Você vai embora e eu vou voltar para as minhas manhãs com o iogurte que eu odeio mas que é a única coisa que passa pela garganta quando o dia tem que começar. Vou voltar para aqueles e-mails chatos de pessoas que eu odeio mas que pagam esse apartamento sem você. E ficar me perguntando de novo para quem mesmo eu tenho que ser porque só tem graça ser para alguém. E que se foda o amor próprio.
É uma coisa que me dói muito, esses seus silêncios. Sei - claro - que você deve ter problemas bastante sérios, mas uma carta de vez em quando não custa nada e, às vezes - quem sabe? Talvez a gente pudesse ajudar. Penso, com mágoa, que o relacionamento da gente sempre foi unilateral, sei lá, não quero ser injusto nem nada - apenas me ferem muito esses teus silêncios. A sensação que tenho é que você simplesmente não está a fim de transar muito - e cada vez que tomo a iniciativa de escrever é sempre meio tolhido, sem naturalidade, com medo de incomodar, de ser indesejável. Não é uma coisa agradável. Seja como for, continuo gostando muito de você - da mesma forma -, você está quase sempre perto de mim, quase sempre presente em memórias, lembranças, estórias que conto às vezes, saudade. E se é verdade que o tempo não volta, também deveria ser verdade que os amigos não se perdem.
Mesmo assim eu não esquecia dele. Em parte porque seria impossível esquecê-lo, em parte também, principalmente, porque não desejava isso. É verdade, eu o amava. Não com esse amor de carne, de querer tocá-lo e possuí-lo e saber coisas de dentro dele. Era um amor diferente..

quarta-feira, 20 de julho de 2011

-Você tem um cigarro?
-Estou tentando parar de fumar.
-Eu também. Mas queria uma coisa nas mãos agora.
-Você tem uma coisa nas mãos agora.
-Eu?
-Eu.
Pode chorar querida, não é um erro, é uma necessidade. Você precisa colocar pra fora toda a dor que já lhe causaram. Você está sendo forte por guardar isso tudo só pra você, nunca se julgue fraca porque você não é. E eu sei, você sabe, e todas as garotas do mundo sabem como é isso. Só continue sendo forte. (…) Não se preocupe, essa angustia que você está sentindo vai passar, a saudade vai acabar. Eu sei que agora parece que o mundo conspira contra você, mais ele gira e em um giro desses tudo pode mudar. Então não desiste, sorria. Você é mais forte do que pensa e será mais feliz do que imagina. O medo a decepção, a tristeza, a raiva são só sentimentos, são só momentos e momentos chegam ao fim. Isso chegara também. Não tem como encontrar a felicidade sem ter passado pela tristeza. Pense nisso, não é hora de se deixar abalar.
Este texto é pra te falar uma coisa boba. É pra te pedir que não tenha medo de mim. Eu não sei de nada. Eu só queria ser salva. Eu só queria que isso que eu tô sentindo agora durasse mais de uma semana. Eu só queria poder chegar em casa e ver tudo diferente. Ver tudo bonito. Ver tudo como de fato é. E você salvou meu dia. O mundo está lindo. Não tenha medo de mim. Eu só queria que esta minha vontade de perdoar o mundo durasse. Você quis encontrar meu coração pequenininho no escuro. E você encontrou. E você salvou meu dia, minha semana. Você é um herói.
Você, que já foi tudo e mais um pouco, é agora um quase. Eu quase consigo te tratar como nada. Mas aí quase desisto de tudo, quase ignoro tudo, quase consigo, sem nenhuma ansiedade, terminar o dia tendo a certeza de que é só mais um dia com um restinho de quase e que um restinho de quase, uma hora, se Deus quiser, vira nada. Mas não vira nada nunca. Eu quase consegui te amar exatamente como você era, quase. E é justamente por eu nunca ter sido inteira pra você que meu fim de amor também não consegue ser inteiro. Eu quase não te amo mais, eu quase não te odeio, eu quase não morro com a sua presença. O problema é que todo o resto de mim que sobra, tirando o que quase sou, não sei quem é.
De todos aqueles dias seguintes, só guardei três gostos na boca - de vodca, de lágrima e de café. O de vodca, sem água nem limão ou suco de laranja, vodca pura, transparente, meio viscosa, durante as noites em que chegava em casa e, sem Ana, sentava no sofá para beber no último copo de cristal que sobrara de uma briga. O gosto de lágrimas chegava nas madrugadas, quando conseguia me arrastar da sala para o quarto e me jogava na cama grande, sem Ana, cujos lençóis não troquei durante muito tempo porque ainda guardavam o cheiro dela, e então me batia e gemia arranhando as paredes com as unhas, abraçava os travesseiros como se fossem o corpo dela, e chorava e chorava e chorava até dormir sonos de pedra sem sonhos.
Eu sabia que estava sendo amada, talvez como nunca em toda a minha vida. É absolutamente incrível. Só ele conheceu uma mulher corajosa que admitiu todos os medos, todas as neuroses, todas as inseguranças, toda a parte feia e real que todo mundo quer esconder com chapinhas, peitos falsos, bundas falsas, bebidas, poses, frases de efeito, saltos altos, maquiagem e risadas altas. Ninguém nunca me viu tão nua e transparente como você, ninguém nunca soube do meu medo de nadar em lugares muito profundos, de amar demais, de se perder um pouco de tanto amar, de não ser boa o suficiente. Só ele viu meu corpo de verdade, minha alma de verdade, meu prazer de verdade, meu choro baixinho embaixo da coberta com medo de não ser bonita e inteligente. Só para ele eu me desmontei inteira porque confiei que ele me amaria mesmo eu sendo desfigurada, intensa e verdadeira, como um quadro do Picasso.
Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.

Olha, eu estou te escrevendo só pra dizer que se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não queria que fosse assim. Eu queria que tudo fosse muito mais limpo e muito mais claro, mas eles não me deixam, você não me deixa.
Mas o que dói mesmo é esse finalzinho de dia. A hora que eu validava a minha existência com a sua atenção. A hora que eu representava o mundo para a única platéia que me interessa. A hora que eu me irritava um pouco, porque fazia parte. E então tudo isso que pensei e vivi ganhava um motivo maravilhoso e digno que era virar imagem no seu ouvido. Virar realidade. Agora fico aqui me perguntando se eu existo mesmo. Porque se não me conto pra você, o que eu sou? Pra que serve?

terça-feira, 19 de julho de 2011

E você continua indo embora, e eu continuo ficando, vendo você levar partes de mim que antes eu nem sentia falta. E você continua escrevendo sua história pulando linhas, errando palavras, esquecendo os títulos. E eu continuo escrevendo seu nome com letras cheias, para tentar preencher você de alguma maneira. Pra tentar deixar tangível a sua existência. E principalmente pra poder amassar o papel e jogar no lixo.
Eu sou toda contrária aos estereótipos. Não sou bonita. Não sou magra. Meus gostos musicais são os mais exóticos. Não falo inglês fluentemente. Não sou inteligente. Não causo boa impressão perante os outros. Convivo com um mau humor e uma bipolaridade constante. Me apaixono pelo mesmo sexo. Dou valor a quem se fode para mim. Em vez de se sensibilizar, meu coração se petrifica cada dia mais. Aprendi a gostar da minha solidão e passei odiar quem tenta roubá-la sem me oferecer companhia verdadeira. Eu fumo, bebo, minto sobre meu estado de espirito, choro sem motivos, tomo antidepressivos. Parto corações da pior forma possivel das poucas pessoas que se importam comigo. Sou sensivel e ao mesmo tempo fria. Anoréxica, bulímica e compulsiva.
Hoje decidi que estou prestes a assumir meu coração vazio. Não decidi isso movida por uma grande coragem ou por um momento de iluminação. Nada grandioso aconteceu. Apenas sinto que dei um pequeno, quase imperceptível, passo para uma vida mais madura. Eu simplesmente não suporto mais pintar o céu de cor-de-rosa para achar que vale a pena sair da cama. Não posso mais emprestar mistério ao vazio, vida ao oco, esperança ao defunto, saliva ao seco. E, finalmente, não posso mais inventar amor só para poder falar dele.
Fechei a porta, encostei a parte de cima da cabeça contra ela. Só nos filmes as pessoas fazem isso, nunca vi ninguém fazer de verdade. Comecei a fazer para ver se sentia o que as pessoas sentem nos filmes – pessoas sempre sentem coisas nos filmes, nos bares, nas esquinas, nas músicas, nas histórias. Nas vidas acho que também, só que não se dão conta. Depois percebi que aquela dor que sobe ali do olho esquerdo pela testa diminuía um pouco assim, então fui me virando até apertar o lado esquerdo da cabeça, justamente onde doía, contra a porta fechada. A dor doía menos assim, embora não fosse exatamente uma dor. Mais um peso, um calafrio. Uma memória, uma vergonha, uma culpa, um arrependimento em que não se pode dar jeito.

Eu te amei muito. Nunca disse, como você também não disse, mas acho que você soube. Pena que as grandes e as cucas confusas não saibam amar. Pena também que a gente se envergonhe de dizer, a gente não devia ter vergonha do que é bonito. Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim.

Então, de repente, sem pretender, respirou fundo e pensou que era bom viver. Mesmo que as partidas doessem, e que a cada dia fosse necessário adotar uma nova maneira de agir e de pensar, descobrindo-a inútil no dia seguinte - mesmo assim era bom viver. Não era fácil, nem agradável. Mas ainda assim era bom. Tinha quase certeza.
Joguei sobre você tantos medos, tanta coisa travada, tanto medo de rejeição, tanta dor. Difícil explicar. Muitas coisas duras por dentro. Farpas. Uma pressa, uma urgência.E uma compulsão horrível de quebrar imediatamente qualquer relação bonita que mal comece a acontecer. Destruir antes que cresça. Com requintes, com sofreguidão, com textos que me vêm prontos e faces que se sobrepõem às outras. Para que não me firam, minto. E tomo a providência cuidadosa de eu mesmo me ferir, sem prestar atenção se estou ferindo o outro também. Não queria fazer mal a você. Não queria que você chorasse. Não queria cobrar absolutamente nada. Por que o Zen de repente escapa e se transforma em Sem? Sem que se consiga controlar.
Uma saudade dos mil anos que passamos, ou das três semanas. A loucura de gostar tanto pra tão pouco ou simplesmente a loucura de tanto acabar assim. Fora tudo o que guardei de você, me restou a consideração que você guardou por mim [...] A maneira que você tem de pedir perdão por ser mais um cara que parte assim que rouba um coração. Você é o mocinho que se desculpa pelo próprio bandido. Finjo que aceito suas considerações mas é apenas pra ter novamente o segundo [...] Então aceito a sua enorme consideração pequena, responsável, curta, cortante. Aceito você de longe.
E eu sei, aceito que as coisas vão ficar assim. E você vai embora. A minha vida continua. Eu sei, eu sei, eu sei. Só que eu não aguento mais ninguém indo embora.
Mas meu melhor amigo é meu único amor. O único que consegui. Porque ele sempre volta. E meu coração fica calmo. E ele vai comigo na pizzaria e todos meus amigos novos morrem de rir porque ele é naturalmente engraçado e gente boa e sabe todos os assuntos do mundo. E todo mundo adora meu melhor amigo. E eu amo ele.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Ela era a menina perfeita. Amiga de todos. Elogiada por todos. Amada por todos. Até que ela se apaixonou. Hoje ela se esquiva. Não consegue se aproximar das pessoas por medo de se machucar. Não confia na melhor amiga. Se trancou no próprio mundo. Mas tudo que ela precisa é de alguém que cure toda essa dor. Alguém que não desista. Alguém que a ame verdadeiramente, e que não jogue com seu coração. Os dias se arrastam vazios. Ela só precisa de um motivo. Ela só precisa de um sentimento verdadeiro dentro de um mundo de mentiras.

Todo mundo merece amar e ser amado. Todos merecem ter quem ama ao seu lado. Todos merecem receber aquele carinho gostoso e acordar as 3hrs da manhã com o barulhinho do celular, pegar ele com sono e ler aquela mensagem ”Eu estou acordado e pensando em você”. Todos merecem viver um sonho e deixar de viver sonhando. Todos terão um amor de verdade em suas vidas. Todos poderão sorrir e dizer que tem alguém ao seu lado. Vocês vão ver, está escrito, ninguém nasceu para ficar sozinho. Do mesmo jeito que a menina irá encontrar seu príncipe, o menino será um príncipe de uma menina. Garota, o menino por quem você irá se apaixonar pode não ser tão fofo quanto os do tumblr e garoto, a menina por quem você irá se apaixonar pode não gostar de romantismo como as do tumblr. A vida não é um conto de fadas e por isso ela é bela como é. Vocês vão encontrar alguém que supra todas as necessidades de vocês, em todos os aspectos. Vocês vão encontrar um alguém imperfeito que junto a ti mostre o que é a perfeição. Um alguém que te cause sorrisos, vontades, lágrimas as vezes mas muitos beijos também. Um alguém que não te mostrará o caminho, mas que caminhe junto a ti. Um alguém em qual você confie e independentes de quantas outras pessoas tenham te magoado na vida, você vai se entregar. Esse alguém te mostrará o real amor, o significado da palavra compartilhar e vocês irão montar uma família. Vocês podem levar vários tapas na cara, terem vontade de desistir várias vezes, pensarem que são fracassados … Mas vocês terão, vocês terão o amor de vocês. Daqui dois dias, oito meses, um ano ou alguns séculos. Esperar é tudo que você tem a fazer.
Será mesmo que as coisas ruins podem te fortalecer? Talvez esse não seja um argumento válido, tanto para quem machuca ou para quem é machucado. Por mais que você diga que hoje tudo está bem, os pensamentos te ferem constantemente e você nunca entendeu quando diziam que tudo ia passar, mesmo sabendo que para algumas quebras, não há cola que conserte.
As vezes, me encontrei mudando, sendo uma pessoa forte. Me encontrei magoando antes de ser magoada. Me encontrei silenciando, respondendo só pra mim. Fingi que não me importava, e eu me importava, mas só eu sabia disso. Passei dias resolvendo meus problemas sozinha, e percebi que, quase ninguém é capaz de ajudar sem eu ter que pedir ajuda. Passei dias não compartilhando minha vida, vivendo só pra mim, com medo de vir alguém e tirar minhas esperanças de sonho, tirar minha vontade de arriscar. Porque as pessoas querem te ver bem, e feliz, mas, não mais que elas. Passei dias esquecendo a parte ruim de cada dia. Porque hoje em dia é assim: Pra você provar pra sociedade que você é forte, você tem que tocar o foda-se pros problemas, você tem que começar a não se importar e a não ligar pra certas coisas. E percebi que nesses dias que eu passei, só precisava ser eu mesma.
Nunca se entende o porquê se ama tanto alguém, você. Não sei dizer se é teu sorriso torto misturado com o teu rosto sério que de costume não muda. Talvez eu que seja tola, uma tola por acreditar que é teu sorriso que meche comigo quando não é. Eu acho que eu gosto mesmo é de te ver assim, intocável. Esse desejo de te ver voltar me faz tremer. Minhas pernas não sabem o que é autocontrole, meu estomago já não aguenta ser jardim, meu coração palpita tanto. Saudade dói, saudade mata. Eu ando morrendo cada dia um pouco mais. 
Eu não posso fazer nada, a não ser sentir saudade. Eu não posso fazer nada, a não ser lembrar de você com lágrimas nos olhos. Eu não posso te pedir desculpas, eu não posso te dizer que te amo e que sou grata por tudo que você fez por mim. A única coisa que eu tenho são memórias de você e a certeza de que você nunca vai voltar. E esse luto não vai passar.
Ela mesma se machucava, se matava por dentro,mas não por nada nem por menos, era por tudo que ele era pra ela. Ela só sonhava, pensava, imaginava e desejava. Só queria o que não podia ter e insistia em criar todas as situações, todos os momentos que a tornariam uma pessoa feliz. Mas ainda se chamava de burra, sabia o que estava fazendo, só estava se torturando com todo aqueles pensamentos que eram inevitáveis quando se tratava dele. “Deixa de ser burra”, sussurra pra si mesma como se pudesse evitar todas as situações criadas e recriadas mil vezes, pra que tudo fosse perfeito com o máximo de imperfeição possível, ela só queria ele. Era pedir demais?

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Esse sentimento que me faz sair a noite pela rua, sem direção para tentar esquecer, tentar não lembrar. Lembrar de quando era nós duas, e não só eu ou você. Lembrar de quando você ainda fazia parte da minha vida. “Porra, como faz falta!”. É o que vem na minha cabeça sempre no final da noite quando estou sentada onde nós costumávamos ficar. As vezes tenho vontade de ir atrás, de ver se você ainda sente falta dos verões. Talvez não, talvez enganação minha. Um dia essa saudade terá de ir embora, querendo ou não.