segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Pela casa o odor forte que misturava cigarros e álcool. É a solidão. Todos os sonhos estavam trancados dentro de uma gaveta, em um móvel velho no canto da sala. Nenhum sorriso pra enfeitar o rosto. É o cansaço. É a solidão. O peso de todas as escolhas erradas e promessas quebradas sendo levado nas costas. Mais um cigarro. Não que fumar fosse de outrora um hábito, mas não havia mas nada a se perder diante do que já se havia perdido. O coração que agora estava em pedaços, se encontrava espalhado pelo chão. O nó na garganta, borboletas mortas no estômago. É só o fim de mais um amor. Trágico. Triste. No final de uma história cheia de alegrias, afeto,  beijos, abraços, carinhos, dedicação recíproca … resta dor, lamentos e solidão. Muita solidão.
Ela é complexa demais. É uma incógnita, difícil de desvendar. Ela não gosta do escuro, mas não permite que acendam as luzes. Ela pensa demais e fala menos. Ela queria apenas conhecer gente nova, fazer coisa nova […] Ela queria. Ficaram os pedaços dela, restos do que ela era antes. Suas meras palavras, eram tão simples, sem compaixão. Sua brilhante auto-estima, desaparecera. Fria demais. Julgada demais. Tão pequena… Sozinha. Ela não é mais a mesma. Suas próximas horas, seriam de pura dor. Até chegar a resposta para sua mais difícil equação.”
Queria saber onde estão aquelas pessoas de verdade, que a gente não compra mas também não vive sem. Aquele amigo que mudou para o outro lado do mundo mas você não pensa duas vezes antes de pegar o carro, o ônibus ou o avião e fazer uma visita. Só olhar para ele, sentar ao lado, ouvir a voz, faz tudo ficar mais feliz. Algumas pessoas simplesmente valem a pena. Queria saber onde é que está aquele tipo de namorado que você não veste para se exibir mas despe para provar só pra si mesmo o quanto é feliz. Que você não desfila ao lado, mas leva dentro do peito. Que você não compra, consome, negocia ou contrabandeia. Mas se surpreende quando ganha de presente da vida. Aquele tipo que você não usa para ser alguém e justamente por isso acaba sendo uma pessoa muito melhor. Não culpo pessoas, lugares e sentimentos que se vendem e muito menos me culpo por viver pra cima e pra baixo com minha sacolinha de degustações frugais. É o nosso mundo moderno cheio de tecnologias e vazio de profundidades. Mas hoje, só por hoje, vou sair de casa sem minha bolsa. Vamos ver se acabo conhecendo alguém impagável.
(…) Como você é ridícula, amor platônico é para adolescentes. Lá fora há milhares de possibilidades de felicidade, de felicidades possíveis. De realidade. E você eternamente trancada na porta que o mundo fechou na sua cara. Fazendo questão de questionar e atentar o inexistente. Vá viver um grande amor.
Porque um te deixa, se sente abandonado pelo mundo inteiro. Porque um vai embora, se sente sozinho no meio de uma multidão. Porque um te faz chorar, acha que todos também farão. Se um mente, passa a acreditar que os que estão a sua volta também estão mentido. Se tiver um motivo pra chorar, só um, vai esquecer todos os outros motivos pra sorrir.
Minha pureza era linda, Zé, mas ninguém entendia ela, ninguém acolhia ela. Todo mundo só abusava dela. Agora ninguém mais abusa da minha alma pelo simples fato de que eu não tenho mais alma nenhuma. Já era, Zé.
Deixe. Só deixe tudo levar-se com a ventania de uma tarde, com a maré alta de uma madrugada. Liberta-te. De todos os males e tristezas. De todos os baixos de tua vida. Livra-te de teu aperto no coração. Das mágoas escondidas e de todas as tuas lágrimas presas na garganta. Deixe-se. Deixa tudo de mal, levar-se com o vento. E limpa tua alma de uma vez só.
Sei lá. Parece coisa de alma, sabe? Parece que a gente foi feito pra ficar junto. Parece que a gente se conhecia de longa data, quando na verdade nos falamos pela primeira vez na vida. Parece que, independente de estarmos juntas ou não, de um modo ou de outro, sempre estaremos ligadas. É como se a minha alma precisasse ficar junto da tua para se manter forte.
É que sou o tipo de gente que todo mundo pensa que conhece. Mas se enganam feio. Pouquíssima gente me desvenda. Mostro só o que quero. Não por maldade, mas por proteção. A gente tem que aprender a se proteger. Das escolhas dos outros. E até mesmo das nossas próprias escolhas.